quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Sinais

Ele sentiu que ela passou a mão no cabelo. Jogou pra trás da orelha e olhou pra ele. Sim, ele tinha lido a linguagem dos sinais. Ela não. Senão não mexeria tanto no cabelo. Ele apontava o pé pra ela. Os dois pés. Retos, em direção a ela. Ela não leu o livro. Ele não conseguia conversar com os amigos direito. Olhava de rabo de olho. Ela olhava a cada 30 segundos. Depois de mexer no cabelo. Os dois se olhavam. Os dois não entendiam nada na roda de amigos.Ele se afasta. Vai pro bar. Pegar uma cerveja e se distanciar as vezes é a melhor coisa. Ela se afasta também. Vai pro outro lado do bar. Agora mexe no cabelo com as duas mãos. A garrafa agora tem o balcão do bar pra ficar. Se olham. Uma , duas, quatro, doze vezes. Ele não tem cabelo pra mexer, só o pé pra apontar. Ele se aproxima. Ela queria ter 3 mãos pra mexer no cabelo. Vai chegando perto. Agora é a reta final, ele respira fundo. Se aproxima. Fala.
- Oi
- Oi
Foi a última palavra que se ouviu entre os dois aquela noite.. Ela já não precisava mexer no cabelo.

Claudiomiro Amazonas (ode ao rabo de cavalo)

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