quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Terminando...

Ele chega no bar. De mão dadas com ela. A mão segurando só a ponta dos dedos dela. Já não tem mais o prazer que tinha antes. Não vê a hora de falar o que precisa. Ela já não é mais aquela garota interessante.

- Então, o que você queria me dizer?
- é.. então.. acho que temos que terminar?
- Quê? Mas por que?
Pensamento alto. Não há um motivo. Há varios pequenos motivos. E o coletivo de pequenos motivos se chama rompimento.
- Não há um motivo. Quero terminar.
Ela desesperada: - Não pode... como assim?
- Quero terminar.
- Achei que iamos casar e ter filhos.
- Mas vamos. Só que com pessoas diferentes...rs
- Mas você nunca vai encontrar alguém como eu.
Ele levantou e se foi.. Ela continou gritando
- Você nunca vai encontrar alguém como eu!!!
Ele deu um risinho de canto e pensou "Mas a idéia é justamente essa.."

Claudiomar Andrade (humorzinho negro..)

O cigarro

Eles se despedem. Anoiteceu. Ele está com a porta entre-aberta só de bermuda. ele dá tchau. Ele entra. Ela chama o elevador. Ele entra no quarto e volta correndo, abre a porta, sai, deixa aberta. Ela começou a descer. São daqueles elevadores antigos com grade. Ele desce de escadas correndo descalço. Ela vê as pernas descendo. Se encontram no halll do térreo. Ela faz cara de que não entendeu nada, ele a abraça e joga o isqueiro dentro da bolsa dela sem ela perceber - graças a deus todas as mulheres do mundo andam com a bolsa aberta - e ganha um selinho demorado. Ela diz: pena que eu tenho que ir. Ele recuperando o fôlego, coça a barba e solta um sorriso pensado. Entra no elevador e ela vai ficando menor através de sua subjetiva. Ele desaparece atrás da parede e ela sai. Mete a mão dentro da bolsa, pega um cigarro e o isqueiro rosa.

Calenza

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Irreversível

Ela continuava deitada nua em cima dele. Pergunta meio à catherine deneuve: você não acha minha bunda bonitinha mais? Ele olha e vê o fim das costas dela que sobe e se divide, sobe e se divide, depois desce maravilhosamente. Tá meio caidinha, né? Ela sorri, dá um mini soco no peito dele. Ainda está de olhos fechados, mas sabe o que pensa. Ele tem os olhos abertos, mas não enxerga o que vê. Faz-se um blur de imagens de sexo bom. Faz um barulhinho bom na cabeça e um cafuné que a faz sorrir. Apoia as duas mãos no peito dele e o queixo sobre elas. Os olhos dela são grandes, graças a deus, mesmo que ele não acredite em deus. Sem tirar a mão esquerda da nuca onde faz massagem diz: vou acabar com você agora. Ela diz que ele é besta, mas histórias assim são escritas desse jeito e o isqueiro está na bolsa aberta deitada no chão.


Calenza, em lençois maranhenses

terça-feira, 19 de agosto de 2008

F for Fake

Tocava pato fu na casa dele. Menti pra você. Um pensamento puxa outro e às vezes nossas lembranças são falsas porque cada um guarda suas verdades em diferentes arquivos. Os dois agora fumam e o isqueiro rosa que insiste em rimar com a camiseta C&A, dorme na poltrona verde do quarto. Eu prefiro uma mentira boa do que uma verdade meia boca ,diz ele dançando a fumaça. A fumaça dela dança pouco mais séria e parece dizer que não sabe o que está fazendo ali, depois de tanta mentira dos dos lados. Mas no fundo histórias são histórias e verdade absoluta nunca foi o forte de ninguém. A música acaba e não há mais fumaça. 19 minutos depois ela vai acordar nua em cima do corpo nu dele e a última coisa que eles vão lembrar é que um dia mentiram um pro outro, porque histórias são histórias...


Calenza, o Falsário

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Surpreendente

Ela chega. Diz que tem um presente.Uma surpresa. Algo que eu vou gostar.
Me empurra. Caio pra trás. Sinto que caí no lugar onde durmo todas as noites.
Mas daqui a pouco nao vejo mais nada. A luz se apaga. O sentido da visão está nulo.
O do tato entra em ação. E logo mais o olfato. Sinto que ja não tenho mais a camiseta que tinha. Gosto da idéia. Gosto bastante.
O presente chega. E é passado em mim. Cheiro de canela. Cravo também. Talvez um pouco de mel. Ou esse vinha dela. O olfato fica pra trás. Agora quem aumenta é o tato. Sensação. Cheiro. Outro mundo. Tudo fica quente. E esfria. quente e esfria. Permanece quente. Bastante.Cheiro de canela. Poucas sensações são assim. Invisíveis e tão completas.

Claudio_ao_mar ( ai...)

isqueiro

Faz sol. Muita luz no apartamento entre-aberto pela correntinha. Ele do lado de dentro, só de bermuda: Então você não tem nada pra me falar e veio até aqui só pra me dizer isso, é isso? Ela não responde e arma sua pose de briga, braço esquerdo abraçando a barriga, meio que protegendo o boi, ou seria o leão? O corpo fala e o dela grita. A mão esquerda segura o cotovelo direito que leva o olhar para a mão e seu cigarro apagado. Olhando mais atentamente entre os dedos o isqueiro rosa rima com a camiseta C&A. A cara de brava vai perdendo a força e ela não consegue acender o cigarro, começa tocar tolices versão pato fu quando ele vê os olhos dela cheios de lágrima. Ele abre a porta e acende o cigarro dela, mas ela não quer mais fumar.


Calenza (com saudade do sócio)

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Não me irrita hein..

Ele trabalhando. Ela só navegando. Ele de saco cheio do trabalho e já pensando no findi.Ela a fim dele, e enchendo o saco:

- E aí.Quinta-feira né? Vai sair hoje? É o melhor dia pra sair!
- Vou não. Tô sem saco
- Hum. vamo aí vai. Vamo tomar umas?
- Tá me convidando pra sair?
- Eu tô. vamo aí. bebericar alguma coisa, dançar
Ele pensa (bebericar? tenho cara de Rouxinol ou Pomba? Dançar? Eu vou sair daqui,
entrar no meu carro com essa mina feia pra dançar??)
- Não valeu. Vou pra casa hoje
- Ai que chato você, vamo aí?! Meu, vai ser show!
... ("show" - puta merda..tudo menos a palavrinha "show"
- Desencana Kátia. Não vou não. Pode ir
- Nossa, você é muito mole, sabia?
- Sabia não. Tô sabendo agora.
O celular do rapaz toca, ou melhor, só vibra.
- E ae
- E ae, beleza? Vai sair hoje?!

- Vou nada. Vou pra casa!
- Vamo aí cara. Vamo naquela balada. Dizem que lá tá muito show.
- Só um minuto, rodrigo. - ô katia, atende aqui, é pra você...

Claudiomiro Leornardi (mau humor)