Dae numa terça-feira qualquer ele chega em casa cansado do chefe e do trânsito. Tem que falar pra mulher que o mês vai apertar, que o bolso já furou. A chave entra, a chave roda macia. A porta vai, a porta vem. As coisas vão parar em cima da mesa da sala. Amooor, cheguei. Vai pro quarto e sem ter tempo para nada é jogado na cama. Ele olha pro agressor, é agressora, pior é sua própria mulher: aí pausa. Aí entra um slow motion que o homem não é de ferro.
Ele entra no jogo: o que você fez com a minha mulher? (ela está deliciosamente irreconhecível, não que o que ele conhece não o agrade, muito pelo contrário – não precisa ser nenhuma demi moore pra arrancar suspiros de homem algum.)
Ela vem de rabo de cavalo, toda de preto e diz enchendo e entregando a taça de champanhe ao marido: eu mandei ela dar uma volta, aproveita o show.
Só aí ele ouviu a música lenta tocar se ajeitou e olhou a mulher como não olhava há um bom tempo. a música parecia fazer parte da mulher. A mulher dominava o quarto. O quarto era dela. E como ela dançava. E como ele não piscava mais. Foi-se o tempo. e ela dançava. E fingia tirar. Ele quase falava, tira. Ela colocava. E continuou assim. Foi-se o sobretudo. A cinta não ligava mais nem menos. Não mais. A meia 7/8. o sapato alto bico fino. Tudo foi virando passado e o presente podia ser ouvido no apê de baixo, os dois desconhecidos vão se conhecendo e esquentando o quarto que vira um inferninho. Não é só mais dela. Os dois são um só enrolados, suados. O calor sai pelas entranhas e parece dezembro o inverno de junho. A hora passa. O quarto não é mais o mesmo nem nunca será que o futuro lhe aguarde...
E ela fala: agora, toda terça-feira aqui em casa vai ser assim.
Mas hoje é quarta, meu amor, responde ele acabado ao pé da cama.
E sabe que dia é amanhã, meu bem? Pergunta ela com o canto da boca mais vermelha que pimentão de época.
Quinta, né? Ta doida?
Não, amor... amanhã é terça!
Calenza em quando é a próxima terça, mesmo?
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Abordagens boas parte 1
Ele olha pra ela e segue em sua direção
- Oi.. vc tem um cigarro?
- é.. oi.. tenho sim..
- Brigado
- Toma.
- Ah, brigado, tó de volta.. já usei
- Ué, não vai fumar?
- Não, só usei ele pra te conhecer
- rssrsss
- qual seu nome?
- Roberta
- Roberta. Posso te pagar um vinho?
- Só porque foi bom na piada. Vamo lá..
- Tá. .vamos ali no bar. Vou pedir uma água porque eu não bebo.
Claudiomiro (recordista do 100m rasos)
- Oi.. vc tem um cigarro?
- é.. oi.. tenho sim..
- Brigado
- Toma.
- Ah, brigado, tó de volta.. já usei
- Ué, não vai fumar?
- Não, só usei ele pra te conhecer
- rssrsss
- qual seu nome?
- Roberta
- Roberta. Posso te pagar um vinho?
- Só porque foi bom na piada. Vamo lá..
- Tá. .vamos ali no bar. Vou pedir uma água porque eu não bebo.
Claudiomiro (recordista do 100m rasos)
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Colchão mole
No sofá cabem 3.Em volta da banda não tem limite.Todo mundo dançando. A fumaça subindo e sumindo. No sofá já tem 4. Ela, ela, ele, ela. Ele com ela. Ela com ela. Ela com ele. Ele com ela. Elas com ele. E o samba tocando. A fumaça saindo da casa. Churrascada é confraternização. É a chegada do final de semana.Muita bebida.Sol.Festança. Elas dançam. Eles tocam. Elas tocam. Eles dançam. Alguns. Nem todos. Espeto de frango, carne, linguiça. Tudo ali. em cima da mesa. Abandonados. A prioridade é dançar e tocar.
E quem foi que disse que a farofa é o melhor da festa.Acertou.
ClaudioRio (de cueca em casa)
E quem foi que disse que a farofa é o melhor da festa.Acertou.
ClaudioRio (de cueca em casa)
A rosa púrpura do bairro
Na mesa 12 ela, de camiseta vermelho-escura, disse é mais ou menos assim, um livro é só um pedaço da vida de uma personagem. Depois o livro acaba, mas a vida deles continua, ou eles vão pra coxia da história? O cara da 10 olhava aquilo porque nada na mesa dele fazia mais o menor sentido. Ele a olhava fixamente corou a pele branca da moça de cabelos pretos pretos pretos a meio palmo do ombro. lembrou do elvis e balbuciou it's now or nerver. foi sentando à mesa das duas e logo perguntou o nome daquela que mais lhe havia chamado a atenção. Rosa, disse ela. 17 dias depois eles viriam a passar as tardes frias assistindo aos filmes do woody allen.
Calenza
Calenza
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
agosto quente
la saiu do am pm com seu vestido soltinho como todo bom diminutivo e reclamou do calor. O cara que estava com ela nada falou, meteu uma halls preta na boca, um gole de água geleda, deixou a moça se adiantar um pouco, fez um rabo de cavalo nela e assoprou-lhe a nuca que seguiu o gerúndio do arrepio, descendo as costas indo dar na lombar que deus e a boa genética lhe deram. O frentista abriu a boca. O cara que discutia relação no 206 preto flex deixou de prestar atenção na namorada. O moço da kombi parou a mão no volume do rádio e não ouviu mais nada. E a moça ainda foi puxada pelo cabelo até sua orelha chegar na boca do namorado que dizia: tem mais 9 halls pra mais tarde...
calenza em que calor é esse, minha gente?
calenza em que calor é esse, minha gente?
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
Terminando...
Ele chega no bar. De mão dadas com ela. A mão segurando só a ponta dos dedos dela. Já não tem mais o prazer que tinha antes. Não vê a hora de falar o que precisa. Ela já não é mais aquela garota interessante.
- Então, o que você queria me dizer?
- é.. então.. acho que temos que terminar?
- Quê? Mas por que?
Pensamento alto. Não há um motivo. Há varios pequenos motivos. E o coletivo de pequenos motivos se chama rompimento.
- Não há um motivo. Quero terminar.
Ela desesperada: - Não pode... como assim?
- Quero terminar.
- Achei que iamos casar e ter filhos.
- Mas vamos. Só que com pessoas diferentes...rs
- Mas você nunca vai encontrar alguém como eu.
Ele levantou e se foi.. Ela continou gritando
- Você nunca vai encontrar alguém como eu!!!
Ele deu um risinho de canto e pensou "Mas a idéia é justamente essa.."
Claudiomar Andrade (humorzinho negro..)
- Então, o que você queria me dizer?
- é.. então.. acho que temos que terminar?
- Quê? Mas por que?
Pensamento alto. Não há um motivo. Há varios pequenos motivos. E o coletivo de pequenos motivos se chama rompimento.
- Não há um motivo. Quero terminar.
Ela desesperada: - Não pode... como assim?
- Quero terminar.
- Achei que iamos casar e ter filhos.
- Mas vamos. Só que com pessoas diferentes...rs
- Mas você nunca vai encontrar alguém como eu.
Ele levantou e se foi.. Ela continou gritando
- Você nunca vai encontrar alguém como eu!!!
Ele deu um risinho de canto e pensou "Mas a idéia é justamente essa.."
Claudiomar Andrade (humorzinho negro..)
O cigarro
Eles se despedem. Anoiteceu. Ele está com a porta entre-aberta só de bermuda. ele dá tchau. Ele entra. Ela chama o elevador. Ele entra no quarto e volta correndo, abre a porta, sai, deixa aberta. Ela começou a descer. São daqueles elevadores antigos com grade. Ele desce de escadas correndo descalço. Ela vê as pernas descendo. Se encontram no halll do térreo. Ela faz cara de que não entendeu nada, ele a abraça e joga o isqueiro dentro da bolsa dela sem ela perceber - graças a deus todas as mulheres do mundo andam com a bolsa aberta - e ganha um selinho demorado. Ela diz: pena que eu tenho que ir. Ele recuperando o fôlego, coça a barba e solta um sorriso pensado. Entra no elevador e ela vai ficando menor através de sua subjetiva. Ele desaparece atrás da parede e ela sai. Mete a mão dentro da bolsa, pega um cigarro e o isqueiro rosa.
Calenza
Calenza
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