segunda-feira, 6 de abril de 2009

decisão

Ela ta de saco cheio de tudo. Do namorado egoísta. Das amigas bigbrodistas. Da internet apareça quem quiser nos 15 segundos de fama e milhões de pageviews. Da TV aberta. Da TV fechada. Acaba de se fechar em seu mundo no trânsito, toma uma buzinada de café da manhã, abre los ojos e lembra do tom cruise e da penélope cruz que é a ligação entre as duas histórias que culminam em um salto no vanilla sky. Isso acontece muito rápido. É um flash. É a reminiscência do sonho que ela não lembra mais se foi assim mesmo... Ela quer abrir os olhos para a vida e acha que os 30 anos que tem a prendeu porque é tarde demais. Vanilla Sky começa com everything is on the right place do Radiohead. É claro que não está!, surta ao volante e olha pro lado para ver se tem alguém olhando. Ela foi ao show. Reclamou da organização. Fez a lista da noiva. Mudou o filme. Tinha que acertar com seu Bill. Acertar as contas. Não pagou os 10%. Estacionou o carro. Subiu o elevador, ligou para o namorado e disse: amooor, já to com saudades.

calenza

sexta-feira, 3 de abril de 2009

nova ordem mundial

ai, é que eu me importo com as pessoas...
Eu me exporto com as pessoas...
Você se lixa para as pessoas!
é, também, mas se você pensar bem quem exporta é de dentro pra fora, não? A mulher importa, não?
É...
Então vem cá fazer um escambo...
Ai, pra você tudo é esculhambação!
Não, eu só quero acabar com a crise...

calenza

quinta-feira, 2 de abril de 2009

retoque final

Sabe quando se coloca um espelho na frente do outro? A imagem vai ao infinito cada vez menor. É isso que eu sinto quando estou com você. Um reflexo do que já foi e que não se toca, frio. Mas o que você ta falando. Sei lá, assim do jeito que ta não dá mais. Não to entendendo nada! Ela começa a gritar e sacudir o namorado pelo braço. Ela nunca esperava aquilo, não agora que ela acabou de mudar pra casa dele. A bolsa aberta cospe um espelho que estilhaça no chão. São 7 anos de azar, ela pensa. No dia seguinte ele pede desculpa e ela inteira em casamento. Agora tem certeza que o passado ficou pra trás.

calenza

Quem ama, odeia

Sabe, de vez em quando, eu te odeio um pouquinho.
- Me odeia?
- É, mas não é um ódio ódio. É um ódio de amor.
- Ódio de amor?
- É, sabe? Não é um ódio Brasil e Argentina, São Paulo e Corinthians, Montecchio e Capuleto.
- Puxa, que bom.
- É verdade. Ai, nem sei explicar.
- Tenta.
- Ah, eu te odeio quando você acha a Cate Blanchett linda.
- Isso tem outro nome, santa. Ciúme.
- Não, porque eu também te odeio quando você me diz o que fazer quando estou dirigindo. Ou quando você faz aquele barulho irritante com a boca. Ou quando você rouba a comida do meu prato. Ou quando você diz que eu deveria usar mais batom.
- Ah.
- Mas, meu, não fica assim. Eu te amo.
- Não entendi. Você me ama ou me odeia?
- Ah, às vezes, eu odeio amar você.

alana della nina _ ao vivo do front

Prova oral

Aquela boca tinha um gosto novo. Boca com sabor diferente. Gosto de morango. Cheirinho de sabonete. Boquinha quase sem uso. Uma delicia. E eu lá com minha boca com gosto de café. Usada. Experiente. Habilidosa. Rápida. Certeira. Uma boca atrai a outra. Gosto desse tipo de boca. Acho que as duas combinam bem. Uma não vive sem a outra. Qual o próximo sabor?


C.Andrade_sempre_ao_mar

quarta-feira, 1 de abril de 2009

mulheres verdes, rosas, anis, lilás...

Você nunca falou dos meus seios, disse ela escondida atrás do sutiã que insistia em escorrer ombro abaixo. Pois é, eles já ouviram tudo o que se há de falar. Ela gostava de fazer esse jogo porque funcionou até ali. Ele diz, eu gosto do seu cotovelo. Amo seu cotovelo. O jogo não o interessava mais. Ele pergunta se ela quer água a deixando ainda mais indecisa. Quando voltou pro quarto ela estava de pé, vestida ao lado da cama olhando para um quadro do Matisse porque tinha vergonha de ver o cara pintado na sua frente. Ele deu a água para ela por trás, a abraçou calmamente e disse baixo, uma pintura...

calenza

sabe ali na rua helena com a funchal?

me conta uma mentira hoje.
Oi?
É primeiro de abril.
Te amo.
Ai que lindo. Eu também!
Mentira. Primeiro de abril.
Silêncio e mãos nos bolsos olhando para o outro lado.

calenza